Um tempo chamado 'Aqui e Agora'
As palavras “Tchibum Up” são sonoras. Escolhidas a dedo para estrear essa coluna. Um momento marcante, de muito carinho junto aos “Celebrares”. Usaremos algumas palavras para dar mais vida e soprar revista afora o que mais tem feito nossa “Tchurma” pensar, refletir e ressignificar ao longo dessa última década. Nem só de 'tchibum' nós vivemos e precisamos constantemente dar aquele 'up' em nossas estratégias, mergulhando fundo em outros saberes além dos aquáticos, como a psicomotricidade, a psicologia, a nutrição, a pediatria, as artes e a sociologia: sim, bebemos dessas fontes que nos inspiram.
Ultimamente, temos pensado no impacto do ritmo de adulto com as crianças. E nossa missão aqui é totalmente reflexiva, pois, na Tchibum, temos a seguinte premissa: nos tornamos guardiões da infância. Alguns comportamentos infantis estão cada vez mais frequentes, como: baixa concentração nas atividades, desregulação emocional, cansaço, irritabilidade, apatia e medo.
Entre tantas observações, anotações e avaliações, conversamos com familiares, mostramos atividades que ajudam na rotina, de como as expectativas mudam a cada idade, e até mesmo auxiliamos com expressões e dicas para melhora da autoestima. Costumamos comentar com as famílias que frequentam a escola, que as crianças, na primeira infância, necessitam de umas palavras com a letra A: “amor, alimento, atenção” - um trio perfeito de afeto, suporte e nutrição com zero telas. Sim, isso mesmo: zero telas nessa fase. As famílias se encantam com a forma com que levamos esse elo para nossas aulas de natação para bebês.
Já na segunda infância, há bastante expressividade nas aulas e utilizamos da musicalidade para reproduzir movimentos, ações que promovem maior dinamismo, pois, nessa fase, a energia flui bastante (e a animação nunca pode faltar). Uso de telas por, no máximo, uma hora por dia é o recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
E quanto ao ritmo de adultos imposto na rotina das crianças? Precisamos rever que tipo de rotina é mais adequada e que respeita a criança. Rever as agendas, a divisão de tarefas entre os tutores; a logística familiar importa muito nessa fase tão crucial para o desenvolvimento integral. É ali, rodeada de afeto, colo, atenção, diálogo, brincadeiras e bons exemplos que a criança se sente acolhida, se sente pertencente e se sente amada. Nesse período, da infância até a adolescência, as habilidades motoras, cognitivas e sociais são moldadas, mas a criança, diferentemente de nós, adultos, está com o cérebro ainda em formação e precisa de tempo para elaborar, assimilar, introjetar e imaginar coisas que ela viveu, ouviu, enxergou, aprendeu e sentiu.
Andy Tetila Que palavra bonita essa, 'sentiu', não é mesmo? Vindo de tantos sentimentos, sensações, sentidos e sensatez, deixo tais palavras com “S” para vocês que, assim como a Tchibum, também desejam uma infância mais leve, desse chão que pisamos o resto da vida, desse lugar em que o tempo demora a passar, que traz tanto sopro de vida! Se, na vida adulta, tudo é tão corrido, barulhento, cheio de adversidades, que as nossas crianças ainda possam respirar por aquele ventinho que entra pelo vidro do carro, sentir os pés na terra molhada e o cheiro de chuva e do café fresquinho que, temos certeza: marcou a infância de muitos de vocês!