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A incrível geração de fotos sorridentes e travesseiros encharcados


O que é publicado, compartilhado e divulgado nas redes sociais nem sempre condiz com a realidade, com aquilo que se carrega no coração. Nos últimos cinco anos houve um aumento na ocorrência dos casos de depressão, entre crianças e jovens nas idades de 12 a 25 anos. Nós profissionais da área da saúde vivemos essa realidade todos os dias em nossos consultórios.

É claro perceber que vivemos tempos difíceis. Tempos em que, além da necessidade inerente à juventude de encontrar uma identidade que a faça sentir-se incluída e aceita, ainda há a corrida pelo melhor status nas redes sociais, levando essa geração, ainda em formação, a comparar seu dia a dia tão modesto, real e perfeitamente normal com a demonstração exagerada de felicidade editada e cheia de photoshop. Através de filtros e edições, é exigido um bem-estar irreal, inalcançável e muito plastificado.

A insatisfação com a realidade e a competitividade produz uma geração frustrada e descontente consigo mesma. Viver uma vida de mentiras é não querer entrar em contato com suas próprias emoções, com medo e dúvidas que invariavelmente nos assolam num momento ou outro, com a solidão, com o anseio desenfreado somado à dificuldade de sermos populares e antenados. Não é constrangimento nenhum ter uma vida comum, e pé no chão, não é vergonha nenhuma reconhecer que o dia a dia é modesto.

É ilusão acreditar que a felicidade é mais constante e certa para aqueles com o feed de notícias mais farto de viagens, convites, likes ou popularidade. É engano imaginar que o carisma, a importância ou o valor de alguém pode ser medido pelo termômetro das curtidas ou descurtidas. Temos nos distanciado de nossos filhos, à medida que permitimos que eles acreditem que as histórias que seguem pela tela do celular ou computador têm mais veracidade ou são mais autênticas que a própria realidade que experimentam aqui, do lado de fora.

Desligamo-nos de nossos filhos ao permitir que eles passem mais tempo seguindo essas histórias do que construindo a própria narrativa. Ajudamos a construir uma geração despreparada para o mundo real à medida que autorizamos o fascínio por vidas editadas, em que as frustrações, tristezas e dificuldades ficam do lado de fora, criando uma fantasia de que ter problemas e contrariedades não é normal e deve ser combatido a todo custo.

Pais, precisamos ter mais diálogos com nossos filhos, mostrar que ninguém é capaz de ser perfeito a todo momento, hora ou outra, todos nós temos nossas dificuldades, tanto interna com nossos sentimentos quanto externas, seja problemas na escola, trabalho ou até mesmo familiares. Mostre para seu adolescente que a perfeição das redes socais limitam-se apenas a elas. Porem nossa realidade pode ser muito melhor, a partir do momento que voltamos nosso olhar para as coisas importantes da vida como, estar perto de quem amamos, um abraço caloroso, uma roda de amigos. Enfim devemos entender essa linha tênue entre a realidade virtual e a nossa realidade, só assim poderemos explorar o mundo virtual sem deixar que ele interfira em nossas vidas, o segredo é manter o equilíbrio.


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