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O "menino de guaçulândia" que está conquistando o mundo e foi parar na Globo


Era começo de 2016. Ele chegou com um carro rosa e sorriso marcante. Parou na minha casa para entregar encomenda de maquiagem. Puxei papo despretensiosamente . Sou curiosa em conhecer a história das pessoas. Na hora, meu faro jornalístico percebeu que a vida daquele rapaz renderia uma boa reportagem.

Foi assim que conheci e fiz a primeira matéria sobre “o menino de Guaçulândia”, uma pessoa que cresceu no distrito de Glória de Dourados, com apenas 350 habitantes e estava conquistando o mundo com vendas de cosméticos e palestras. Naquela conversa, na minha varanda, a gente não sabia o que o futuro reservava, mas dava para sentir que se dependesse da garra e sonhos do “menino” ele iria muito mais longe.

Pois bem, no último sábado (01 de janeiro de 2018), Evikson Azevedo fez Guaçulândia, ser conhecida em rede nacional. Ele participou do programa Caldeirão do Huck, Rede Globo. Ganhou R$30 mil no quadro “Quem quer ser um milionário”. Sua simpatia e simplicidade conquistaram o apresentador que brincou: “Você já tinha ouvido alguém falar de Guaçulândia na TV?”. Evikson respondeu que não. Então, Huck deu um alô especial para os moradores do distrito que estavam acompanhando o guri que viram crescer pela telinha.

Conheça mais da história do Menino de Guaçulândia:

Évikson nasceu no dia 18 de agosto de 1990, em São Bernardo dos Campos (SP). Aos dois anos se mudou com a mãe e o irmão para Guaçulândia, distrito de Glória de Dourados (MS). A troca de estado foi em busca de uma vida melhor, pois dona Zuleide criaria os dois filhos sozinha. No pequeno distrito, onde moram apenas 350 pessoas, ela abriu um bar e dali tirou o sustento da família.

O GURI DE GUASSULÂNDIA Uma criança que gostava de jogar bets e andar de bicicleta. Ia à escola e ajudava a mãe no bar. A família nunca passou necessidades graças ao trabalho da dona Zuleide, mas era tudo muito simples, sem regalias. Aos 14 anos, Evikson teve sua primeira grande vontade de ter algo, só que não podia por falta de dinheiro. Um aparelho para os dentes. “Fui ao consultório do dentista e soube que a manutenção custaria R$55 por mês. Falei com minha mãe e ela disse que não poderia pagar, que qualquer coisa socava minha boca pro dente ir pra trás (risos). Mas eu cismei que queria usar aparelho, então percebi que teria que trabalhar”.

A vizinha dele vendia produtos por catálogo e falou que ele poderia ajudá-la e ganhar uma porcentagem. Foi o que fez. Juntava o dinheiro num porquinho de barro. “Lembro direitinho, tirando as moedas do bolso para pagar o aparelho”. Esse foi o primeiro exemplo de determinação do guri de Guaçulândia.

VENDEDOR DE BATOM? Terminou o ensino médio e decidiu que faria faculdade de publicidade, em Dourados. Mas e o dinheiro?? Bom, começou a fazer salgados (ele mesmo cozinhava) e vendia no ônibus a caminho da faculdade. Foi com esse dinheiro e mais a frente com o salário mínimo que recebia de um trabalho na prefeitura, que custeou os estudos. Os gastos aumentaram e uma amiga insistiu que ele começasse a vender cosméticos. “Falei que não sabia vender, que já tinha um bom trabalho, porque onde eu morava trabalhar na prefeitura era o melhor que podia acontecer com alguém. Mas ela insistiu e eu topei. Vendia pouco. Não me dedicava”.

Até que em 2010 estava precisando de dinheiro então resolveu investir. Para ser consultor de beleza ele precisaria ter os produtos. Comprou R$12 mil e pagaria parcelado. “Minha mãe quis me matar, era o preço de uma casa em Guaçulândia, dizia: onde já se viu ficar endividado pra vender batom? Eu fiquei com medo de não conseguir pagar, por isso coloquei na cabeça que teria que fazer dar certo.”

Começou a estudar o material de vendas, ver vídeos no youtube sobre beleza e maquiagem, ensinava as clientes e vendia os produtos. “Achei que esse seria meu “extra”. Quando vi o lucro já dava mais que meu salário na prefeitura”.

TUDO OU NADA Foi então que tomou uma atitude drástica. Para o desespero da mãe, pediu demissão da prefeitura. “Eu tinha que investir nisso. Eu me encontrei. Adoro trabalhar a autoestima das pessoas, ter contato com gente e ainda ganhava dinheiro com isso”. Em 4 meses como diretor passou a comandar uma equipe de 30 pessoas. Bateu metas e além do lucro, ganhou uma viagem para Buenos Aires. Em 2012 abriu um escritório em Glória de Dourados, onde oferecia treinamento.

RECOMEÇO Está bom, ou preciso dizer que a vida dele estava muito bem, obrigada???!! Pois é. Em 2013 Evikson percebeu que as finanças estavam boas, mas tinha estabilizado. Situação incômoda para um rapaz ousado e cheio de sonhos.

“Mantive minha equipe em Glória e me mudei para Dourados. Só que aqui só conhecia duas pessoas, fiquei na casa desses amigos. Não conhecia mais ninguém”.

O rapaz de Guaçulândia se viu sozinho, sem dinheiro, numa cidade maior. “Tive dias que passei fome, tinha R$20. Ou abastecia o carro para tentar vender, ou comia. Preferia tentar vender”. Sem conhecer a cidade ele ia até o centro e abordava pessoas e oferecia os produtos. Aos poucos foi percebendo que havia um mercado enorme. Em sete meses montou uma nova equipe.

EVOLUÇÃO CONSTANTE 2015 , quando todos reclamavam de crise, teve um “boom” da carreira de Evikson! Formou duas novas diretoras, ganhou um carro de R$80 mil como prêmio por atingir as metas, se tornou diretor executivo, viajou a passeio e saiu pelo Brasil dando palestras, foi para Salvador, Minas Gerais, São Paulo, entre outros.

Quando tudo parecia bem e estável, o “bichinho” inquieto que vive dentro dele incomodou mais uma vez. O revendedor acreditava que em Dourados já tinha alcançado todas as metas. Foi fazer um trabalho em São José do rio Preto, gostou da cidade e do dia para noite estava de malas prontas. Lá foi ele começar tudo de novo num lugar desconhecido. “Decidi não estabilizar. As coisas estavam boas, mas eu queria ir além. Descobri um mundo novo. Viajo ainda mais pelo Brasil. Não queria ficar parado em uma cidade só, queria espalhar o empreendimento”.

ATUALMENTE

A aposta visionária do jovem empreendedor estava certíssima. Atualmente é um dos maiores revendedores da marca de cosméticos do Brasil. Comanda sua equipe com representantes em várias cidades. Oferece cursos on-line e continua a rota de palestras.

Pensa que é pouco? O guri de guaçulândia virou digital influecncer. Está com 40 mil seguidores no Instagram. “Hoje me considero “digital influencer” pelo tanto de feed back que recebo todo dia, mas pra mim, ser “influenciador digital” não é divulgar marca, ou fazer um personagem nas redes sociais. Ali sou eu mesmo. Quero influenciar sim, mas de maneira positiva. Tento estimular as pessoas a terem gratidão e um estilo de vida mais leve. A terem mudança de dentro para fora, como aconteceu comigo.

E foi aí que surgiu a oportunidade de ir para Globo. A produção procura por pessoas que tenham história de vida inspiradora. Évikson seria perfeito para o quadro.

“Foi um aprendizado muito grande e uma experiência única de estar num programa de horário nobre e ser eu mesmo. Foi uma exposição da minha vida. Senti muito honrado por saber que um menino de Guaçulândia conseguiu chegar lá. É como se eu fosse o representante de muita gente que mora em cidades pequenas e tem grandes sonhos. Ninguém imagina que podem estar num programa de tanta audiência. Mas provei que é possível!”

Para finalizar nossa nova entrevista pedi que Évikson deixasse uma mensagem para nossos leitores.

“Acredito que independente da religião, Deus nunca responde oração com sim ou não, mas responde com oportunidades. Então desejo que a gente consiga enxergar essas oportunidades. Não existe sonho que não possa ser realizado. O que acontecer é que às vezes as pessoas não acreditam em si, ou não se sentem merecedores de algo bom. Digo para quem está lendo: Se sinta merecedor de tudo que possa acontecer de bom na sua vida, é o primeiro passo para o sucesso e ser feliz”.

Por Miriam Névola, jornalista.

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