A vida nos enche de motivos para Celebrar. É só prestar atenção aos detalhes para ver que, ao nosso redor, existem inúmeras razões para festejar, comemorar, reunir e partilhar.

© 2016 Revista Celebrar - Todos os Direitos Reservados - Este Site Foi Orgulhosamente desenvolvido por: Agência Integre

  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
Enviar a matéria pelo WhatsApp
  • Admin

Hotel Pousada do Bosque 40 Anos de História


Autêntica referência da hotelaria sulmatogrossense, a Pousada do Bosque nasceu do ímpeto empreendedor de Maria Helena Teixeira Moreira (Heleninha) e de seu marido Eraldo Saldanha Moreira, que o construíram em pouco mais de dois anos, período de tempo bastante curto em face das dificuldades existentes numa época em que a cidade de Ponta Porã sequer era ligada ao restante do estado por estrada asfaltada.

Porém o cuidadoso planejamento e a boa-vontade dos trabalhadores superaram questões como provisão de material, tornando possível uma obra daquele tamanho, com seus quatro mil m 2 construídos nos largos espaços da área então disponível, fração de um sítio adquirido em 1940 pelo pai de Eraldo, o deputado federal Aral Moreira, que lá construiu sua residência.

O hotel – cuja área ocupa atualmente 30 mil m 2 – sempre atraiu gente interessada em desfrutar de caminhadas para apreciar o cantar de passarinhos e as correrias de quatis e macacos por entre as floradas de árvores nobres como ipê e jacarandá, e de frutíferas como ingá e jatobá. Foi o próprio Aral Moreira que se encarregou, à guisa de lazer, de reflorestar boa parte de seu patrimônio com mudas de plantas originárias da região, adensando o bosque cortado pelas águas de um córrego que é um dos formadores do outrora caudaloso rio São João, o principal da cidade.

Inaugurado em 1º de setembro de 1976, o hotel teve sucesso imediato. O espírito festivo e participativo de seus proprietários logo fizeram dele o palco para eventos formidáveis. Todos vinham se encontrar no Pousada, como a ele se referiam com prazer, sabendo que não havia nada parecido.

Assim, sucederam-se festas inesquecíveis, casamentos, aniversários, desfiles de moda,

apresentações musicais, vernissages com pintores de renome e lançamento de livros. Seu piano bar vivia lotado, e não apenas nos fins-de- semana, pois era o tempo em que as bebidas importadas davam um especial toque de glamour à fronteira. Os jantares prolongavam-se madrugada afora, amigos confraternizavam-se em intermináveis conversas, embalados pelo clima acolhedor que emanava do local.

Campeonatos esportivos de tênis e futebol society tornaram-se lendários, era agenda obrigatória que reunia principalmente gente da sociedade da capital do estado e do vizinho Paraguay.

Tendas enormes se armavam nos gramados, para que grandes proprietários apresentassem seus melhores animais, em leilões que marcaram época pelo volume negociado e pela cordialidade reinante.

Sua pequena e acolhedora sala de reuniões era muito disputada, abrigou dezenas de palestras técnicas.

Políticos de renome como o deputado federal pernambucano Fernando Lyra lá se hospedavam, além de personalidades do mundo artístico que visitaram Ponta Porã, gente como o cantor Roberto Carlos e beldades que chamavam a atenção, caso da modelo carioca Monique Evans.

Sem exageros, a Pousada do Bosque sempre foi mais que um hotel, procurado por hóspedes em busca de descanso e de uma farta alimentação em estilo colonial, como era o feitio da construção e a proposta do empreendimento. Mas não era só isso. O local foi, para muitos, um refúgio romântico e uma fonte de história, algo assim como uma questão de orgulho pessoal para quem saía de lá com uma quase palpável sensação de que alguma coisa a mais havia enriquecido sua existência.

Ao completar quarenta anos o hotel começa a reescrever a própria história.

Uma cuidadosa repaginação foi levada a efeito, estabelecendo-se através do reaproveitamento do arcabouço original um novo conceito na forma de recepcionar seus hóspedes.

Das três alas destinadas à hospedagem – que comportam 70 apartamentos e 2 suítes – duas delas tiveram suas obras iniciadas em fevereiro de 2015, quando procedeu-se a uma completa troca de telhados, pisos, portas e janelas. Os responsáveis pelo trabalho se maravilharam com a qualidade das perobas utilizadas na estrutura que suportava a cobertura: vigas, ripas e caibros permaneceram intactos durante todos estes anos, o que levou a arquiteta responsável, Lolita Azambuja e a artista plástica Andréa Queiroz Alves, a optar pela reutilização da maior parte do material original existente.

Assim, retiraram-se meticulosamente as camadas de tinta dos tijolos da grande estrutura – de qualidade e tamanho acima do padrão – obtendo-se ao final uma tonalidade natural de bela aparência.

Portas e janelas foram utilizadas na decoração do teto interno do novo saguão, enquanto os forros de cedro dos aposentos – que também tinham camadas de tinta – receberam tratamento para serem aproveitados como painéis nas cabeceiras das novas e confortáveis camas dos apartamentos. Poderia ser mais econômico a aplicação de materiais modernos, como MDF – placa de fibra de madeira de baixa densidade – mas a qualidade e espessura das madeiras nobres mereceram especial atenção na redecoração. O mesmo processo foi utilizado nos criados-mudos e cômodas de madeira maciça que

servem às habitações.

Antigos pilares de peroba entalhada vieram para o hall, para sustentar uma estante cujas prateleiras irão receber objetos decorativos, enquanto duas enormes pranchas – também de peroba – que serviam na recepção, passaram para o balcão do novo restaurante. Este, aliás, é um item que merecerá especial atenção dos proprietários de agora em diante, pois pretendem atrair outros frequentadores além de seus hóspedes normais. Para isso, outro módulo foi construído, o qual se instalou uma moderna cozinha; também recuperaram-se dezenas de cadeiras e mesas de madeira, tudo para revigorar a qualidade de um local que chegou a atender seus comensais no passado com guardanapos de linho, pratos estilizados

e pesados talheres de liga de alpaca.

O local onde ficava o antigo restaurante passará, numa última etapa da obra, por uma reformulação que o transformará num espaçoso centro de convenções, com mais de mil m2 e capacidade para 500 pessoas confortavelmente instaladas.

Mencione-se ainda o tratamento dado ao piso de todo o hotel: tudo foi amplamente impermeabilizado, tanto por dentro como por fora da edificação; além do que, instalou-se um moderno sistema que insufla ar permanentemente, impedindo a disseminação de umidade numa área com a presença de tanto verde.

Verde esse que se espalhou em forma de fotografias ampliadas pelos corredores dos apartamentos, em composições agradáveis que embelezam ainda mais a hospedagem.

Um belo tom de oliva escuro predomina na fachada externa e no pórtico de entrada do hotel.

Renovado seu encanto, o Pousada está pronto para proporcionar pelo menos mais quarenta anos de beleza, tranquilidade e prazer.

*Luiz Alfredo Marques Magalhães

* Fotos Ricardo Zanella

#capa #Matérias

8 visualizações