Foi sendo eu que a vida sempre deu certo
Eu gosto de flores no cabelo. Quanto maiores, melhor. Gosto de borboletas, passarinhos, casa colorida e de tudo aquilo que traz vida para perto de mim.
E eu sempre fui assim.
Nunca precisei aprender a ser autêntica. Na verdade, olhando para trás, percebo uma coisa muito mais importante: foi justamente quando tentei me diminuir para caber que eu adoeci.
Quando fui eu por inteiro, com minhas ideias, minhas escolhas, minhas cores, minha intensidade e até minhas esquisitices, a vida andou. Trabalhei, empreendi, estudei, construí uma família, comecei de novo inúmeras vezes e fiz dar certo.
Engraçado, né? Nunca se falou tanto em autenticidade. Mas experimente ser autêntica de verdade. Usar uma flor enorme na cabeça, rir alto, gostar de cor, mudar de profissão, começar outra vez depois dos 50… Sempre aparece alguém querendo colocar um nome naquilo que simplesmente não cabe no padrão.
Hoje eu estudo a mente, a neurociência e o comportamento humano. E continuo trabalhando com algo que me acompanha há mais de 30 anos: a organização. Quanto mais estudo, mais percebo que essas coisas nunca estiveram separadas.
Nós organizamos a casa, a rotina, os pensamentos, as prioridades. Nosso cérebro cria hábitos, repete caminhos e responde ao ambiente em que vivemos. Mas organizar nunca deveria significar padronizar.
Uma casa organizada não precisa parecer com a casa de ninguém. Uma rotina organizada não precisa funcionar como a de ninguém. E uma vida organizada muito menos.
Talvez uma das maiores organizações que podemos fazer seja justamente esta: tirar da nossa vida aquilo que nos obriga a diminuir para caber.
Minha casa tem cor. Minha cabeça tem ideias. Minha história tem bagunças, recomeços e algumas gavetas que ainda estou arrumando. E eu tenho flores no cabelo.
Sou psicóloga, estudante, profissional, mãe, mulher. Posso falar de ciência e gostar de borboletas e passarinhos. Uma coisa não diminui a outra.
Pelo contrário. Tudo isso sou eu.
E, pelo menos na minha história, aprendi uma coisa: quando precisei deixar pedaços de mim do lado de fora para caber em algum lugar, aquele lugar ficou pequeno demais para mim.
Hoje prefiro organizar diferente.
Em vez de me diminuir para caber na vida, organizo a vida para que eu caiba inteira nela.