O que toda campanha (política, pessoal ou de marca) tem em comum?

Antes de começar, um esclarecimento necessário: este não é um texto partidário. É uma análise sob a ótica da estratégia de marca, que permeia também campanhas políticas.

Toda marca, seja pessoal, empresarial ou partidária, precisa entender quem é, escolher um caminho a seguir e "desescolher" outros, elencando aquilo que irá combater.

Antes do antagonista, a essência

Toda estratégia de marca deve começar de um lugar mais profundo: entender o que a marca já tem de potente. O que ela já faz bem, quais os valores carrega, a força que já existe em sua essência, mesmo que ainda não esteja plenamente articulada. É a partir dessa clareza que o antagonista emerge com nitidez, como consequência natural de saber exatamente quem você é.

Em período eleitoral, esse mecanismo fica particularmente visível: quase toda campanha se define, em algum grau, contra algo. Um jeito de governar que se quer superar, um discurso que se quer combater, uma promessa de ruptura com o que veio antes. No primal branding, essa ferramenta tem nome: o antagonista da marca.

O antagonista nem sempre tem nome e sobrenome

É fácil imaginar um antagonista como sinônimo de concorrente ou adversário direto, alguém específico contra quem se compete. Mas o antagonista mais duradouro raramente é uma pessoa. É, com mais frequência, uma ideia: um jeito de pensar, um hábito de mercado, uma crença instalada que a marca existe para desafiar.

Por que esse recurso funciona tão bem

Existe um motivo profundo, e bem estudado, por trás da força do antagonista: nada cria senso de comunidade mais rápido do que um inimigo em comum. Quando um grupo de pessoas reconhece a mesma coisa como algo a combater, o pertencimento se fortalece quase instantaneamente, ativando um mecanismo tribal antigo, muito antes de qualquer argumento racional entrar em cena. É por isso que campanhas, marcas e movimentos que têm um antagonista claro, seja ele uma pessoa, uma ideia ou um comportamento, geram engajamento tão mais rápido do que aqueles que só falam de si mesmos.

E é também por isso que esse tipo de antagonista, quando é uma ideia e não uma pessoa, tem uma vantagem estrutural enorme: ele não desaparece, não muda de lado, não sai de cena. Continua lá, dando propósito e clareza, independentemente do cenário ao redor.

Meu próprio antagonista

No meu trabalho, um dos antagonistas mais presentes é o entendimento raso da essência de marca: a ideia de que branding é só estética, e de que um resultado bonito no curto prazo substitui a solidez que só uma estratégia bem construída entrega no longo prazo. É contra essa crença, não contra nenhuma pessoa ou concorrente específico, que grande parte do meu trabalho se posiciona. E é justamente por ser uma ideia, não uma pessoa, que esse antagonista continua tão relevante hoje, na era da IA, quanto era há anos.

Qual é o antagonista da sua marca?

Vale a pergunta, seja você empresário, profissional liberal ou alguém construindo uma trajetória pessoal: contra o que sua marca realmente existe? Não é sobre encontrar um inimigo para atacar. É sobre ter clareza do que você se recusa a ser, do que você desafia com sua própria forma de atuar. Essa clareza, mais do que qualquer discurso, é o que sustenta identidade e propósito com o tempo.

Um brinde às marcas, e às pessoas, que sabem exatamente quem são e contra o que se posicionam.

Louise Irie

Um Brinde ao Branding

@louise.estudioirie

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