Sua saúde mental
A cada dia mais pessoas estão com dificuldades de memória, raciocínio e criatividade, e essa não é a pior parte. Uma pandemia de falta de saúde mental nos assola: pessoas confusas, nervosas, iradas. Tristeza, solidão, falta de vínculo, vazio, incapacidade emocional de lidar com pequenos desafios do dia, depressão. Pode parecer inofensivo, mas essa soma parece demência.
Cérebros exaustos! A frase repetida é: NÃO QUERO PENSAR EM NADA!
Quanto mais você se render ao excesso de redes sociais (informações soltas, fragmentos) e à falta do exercício neurológico que elas substituíram: leitura, conversa ao vivo, artesanato, interação social e, em alguns casos, a vida religiosa, que também foi comprometida, pior vai se sentir.
A dopamina constante das redes nos deixa “semivivos”, e, ao ser interrompida, causa reação de raiva pela interrupção e ansiedade - quando vou poder olhar de novo?
Quem lê livros e interage socialmente faz o inverso: concentração, memória, imaginação, criatividade, empatia, compadece-se, avalia como poderia ajudar, chora, torce, rejubila-se quando o herói vence, agonia-se nos momentos de suspense, emociona-se. Isso exige conexões neurais, cria vínculos com o melhor do ser humano e é pura ginástica para o cérebro.
As horas gastas nas redes não servem: texto curto, linguagem simplória, explicado e repetindo a mesma coisa, mais a publicidade, do próprio autor, que pede insistentemente: siga, curta e compartilhe. Ao passar para o próximo conteúdo, você vai sendo treinado a “não lembrar” das coisas da vida real.
Por isso pensar se tornou dolorido, penoso, angustiante. Mas já foi prazeroso! Ao resolver uma questão lógica, sobrevinha a alegria, a conquista, “eu sou capaz”!
Já ouviu: “Duvido, penso; logo, existo.” (René Descartes), ou “Penso; logo, existo”? Essa é a percepção de que o humano existe porque pensa. Pensar é nossa essência, nos diferencia dos animais. E, se insistirmos no “NÃO QUERO PENSAR”, estaremos abrindo mão da nossa humanidade.