Ziy Apresenta: uma conversa com Fabrício Ronca
POR ALESSANDRA FUZIY | ZIY CONCEPT
É com imensa alegria que abro o nosso espaço desta coluna para receber um dos nomes mais brilhantes e premiados do design de mobiliário brasileiro contemporâneo: o arquiteto e urbanista Fabrício Ronca. Com traços que unem sofisticação, materiais naturais e alma brasileira, as criações de Fabrício traduzem perfeitamente o que tanto acreditamos na Ziy: que o verdadeiro luxo está nas sensações e memórias afetivas. Batemos um papo inspirador sobre sua trajetória e processo criativo. Confiram:
Alessandra: Fabrício, qual é a sua principal fonte de inspiração?
Fabrício: Tudo começou na minha infância em Belo Horizonte, quando eu acompanhava minha mãe na Faculdade de Belas Artes Guignard. Cresci frequentando o Palácio das Artes, obra de Oscar Niemeyer. Aprendi a interagir com argila, xilogravura e pintura desde cedo. Crescer cercado pelas curvas e linhas de Niemeyer moldou meu olhar e não tinha como eu não me enveredar pelos caminhos da arquitetura e do design.
Alessandra: A sua icônica Poltrona Barista foi laureada no iF Design Award 2025. Qual é a história por trás dela?
Fabrício: A Poltrona Barista nasceu da minha paixão pelo café e, usando a biomimética, me inspirei na metamorfose do grão. Ela tem formato de concha em couro e esferas de madeira na base, que abraçam a estrutura e simbolizam as sementes. É uma peça de extrema ergonomia, ideal para momentos de descompressão e leitura.
Alessandra: Qual você considera o grande diferencial do design feito no Brasil que ganha tanto respeito lá fora?
Fabrício: É o que chamo de "industrial artesanal". Mesmo em larga escala, nosso mobiliário de fábrica sempre carrega o toque feito à mão — seja em detalhes de couro ou madeira, que ativam a memória afetiva. Além disso, a nossa riqueza multicultural, o folclore e o artesanato dão ao design brasileiro uma autenticidade única e muito valorizada no exterior.
Alessandra: Que conselho você deixaria para quem está começando agora no mercado criativo?
Fabrício: Seja profundamente curioso. Busque referências fora da sua bolha: na música, moda, cinema e artes plásticas. Quanto mais repertório externo você tiver, mais disruptivo será seu trabalho. Por fim, consuma coisas boas. Tudo o que você absorve culturalmente, eventualmente sai em forma de criação. Escolha sempre a excelência.
Conversar com o Fabrício nos faz lembrar que o design autoral vai muito além da estética: ele carrega história, afeto e identidade. É esse mesmo cuidado sensível que buscamos trazer em cada peça e curadoria que preenche as prateleiras e ambientes da Ziy Concept. Espero que essa entrevista tenha inspirado o olhar de vocês tanto quanto inspirou o meu. Até a próxima!