TESTOSTERONA TAMBÉM É HORMÔNIO FEMININO
Por Dra. Mariana Amalia
Quando ouvimos essa palavra, a maioria das pessoas pensa imediatamente em um hormônio masculino. Mas a verdade é que a testosterona também está presente no organismo feminino e participa de diferentes aspectos da saúde e da sexualidade da mulher.
Muito além da libido.
Ela está relacionada ao desejo sexual, mas também exerce influência sobre músculos, ossos e diferentes funções do organismo. Eu costumo dizer que a testosterona está ligada à “libido da vida”: não apenas ao desejo sexual, mas àquela sensação de energia, iniciativa e disposição para viver e realizar as atividades do dia a dia.
Ao longo da vida, a produção de testosterona reduz. E essa mudança acontece de maneira gradual, o que faz com que muitas mulheres percebam diferenças no corpo, na disposição e na sexualidade sem necessariamente relacioná-las às mudanças hormonais. Essa redução progressiva pode confundir a mulher com a correria do dia a dia.
“Doutora, eu não sou mais a mesma”
É muito comum receber no consultório mulheres que chegam exatamente com essa sensação. Elas relatam menos disposição, queda importante da libido, dificuldade para manter ou ganhar massa muscular, mudanças na composição corporal e uma percepção de que perderam parte da vitalidade que tinham antes.
A avaliação hormonal precisa ser individualizada. Não se trata simplesmente de olhar um número no exame e decidir repor testosterona. É necessário correlacionar história clínica, sintomas, exames e fase da vida da paciente.
Reposição hormonal não é simplesmente passar hormônios sem critério
Quando existe indicação de terapia com testosterona, ela deve ser feita com acompanhamento médico especializado, utilizando doses adequadas para a mulher e jamais usar doses masculinas. Infelizmente isso acontece por aí.
Na menopausa, a conversa precisa ser sobre qualidade de vida.
Nessa fase, não devemos pensar apenas em viver mais anos, mas em como queremos viver esses anos. Preservar massa muscular, força, saúde óssea, função sexual e independência funcional faz parte de um envelhecimento saudável.
E os hormônios são apenas uma das peças desse processo. Musculação, ingestão adequada de proteínas, sono de qualidade e bons hábitos continuam sendo fundamentais.
Por isso, não normalize cansaço persistente, perda de libido ou mudanças que estejam comprometendo sua qualidade de vida. Esses sintomas merecem investigação, porque podem sinalizar alterações hormonais.
Testosterona não é exclusivamente um hormônio masculino.
Essa é a mensagem que eu gostaria que toda mulher entendesse. Quando existe indicação, o tratamento deve fazer parte de uma estratégia individualizada, segura e baseada na avaliação completa daquela mulher.
Cuidar dos hormônios é também pensar no futuro. O objetivo não é apenas chegar à terceira idade, mas chegar com força, autonomia, saúde e qualidade de vida.