Por que falar sobre saúde da mulher?
Por Dra. Mariana Amalia
Durante muitos anos, falar sobre saúde da mulher significava apenas fazer coleta de preventivo, exames de mama e orgãos genitais e alguns exames de sangue. Mas a mulher é muito mais complexa do que isso e seu cuidado também precisa ser.
Ao longo da vida, nosso corpo muda. Mudam os hormônios, metabolismo, composição corporal, qualidade do sono, disposição, saúde emocional, sexualidade e até a maneira como nos enxergamos. E se o corpo muda, a forma de cuidar dele também precisa mudar.
É justamente por isso que a mulher merece um cuidado integral.
O corpo feminino não é o mesmo aos 20, aos 40 ou aos 60
Existe uma tendência de normalizar os sintomas à medida que envelhecemos. A mulher começa a dormir mal, ganhar gordura abdominal, perder massa muscular, sentir cansaço, queda de libido, alterações de memória, irritabilidade, dores, ressecamento vaginal e escuta que “é da idade”.
Mas uma das minhas bandeiras é: Mulher NÃO pode se acostumar a viver mal.
Envelhecer é natural, mas isso não é sinônimo de viver mal.
Especialmente a partir dos 40 anos, as mudanças hormonais relacionadas ao climatério acontecem em todas as mulheres. É um período em que olhar apenas para um sintoma ou para um exame isolado não é suficiente.
Precisamos olhar para a mulher por inteiro.
É aqui que entra o cuidado da Medicina Integrativa
Minha visão da medicina parte de uma pergunta que considero fundamental: o que está por trás daquele sintoma?
Não olhamos apenas para a queixa que trouxe o paciente ao consultório. Investigamos como os sistemas do organismo estão funcionando e se relacionando.
Quando uma mulher me diz que está cansada, por exemplo, não quero apenas saber como aliviar o cansaço. Quero entender sua saúde hormonal, seu sono, alimentação, intestino, níveis de micronutrientes, metabolismo, inflamação, saúde emocional, composição corporal, atividade física e outros fatores que possam estar contribuindo para aquele quadro.
O organismo não funciona em departamentos independentes. Hormônios conversam com o cérebro. O intestino influencia diferentes processos metabólicos e imunológicos. O sono interfere no metabolismo. A massa muscular influencia diretamente a saúde. E aquilo que fazemos hoje ajuda a determinar como envelheceremos amanhã.
Não devemos esperar a doença aparecer para começar a cuidar da saúde
Talvez essa seja uma das maiores mudanças que precisamos fazer na medicina: sair de um modelo baseado apenas em tratar doenças já instaladas e avançar cada vez mais para um modelo de prevenção, acompanhamento e promoção de longevidade com qualidade.
Não basta perguntar quantos anos uma mulher quer viver.
Precisamos perguntar: como ela quer chegar aos 50, 60, 70, 80 anos?
Com autonomia? Força muscular? Boa memória? Ossos fortes? Independência? Sexualidade? Energia para viajar, trabalhar, conviver com a família e continuar realizando projetos?
Longevidade para mim, não significa simplesmente acrescentar anos à vida. Significa acrescentar vida aos anos.
Informação também é uma forma de cuidado
Quanto mais informação de qualidade, maior é sua capacidade de procurar ajuda no momento adequado e participar das decisões sobre sua própria saúde.
Foi por isso que escolhi dedicar grande parte do meu trabalho à educação em saúde.
A menopausa não precisa representar o início de uma fase de perdas. Com informação, prevenção e acompanhamento individualizado, ela pode marcar o início de uma etapa de maior consciência sobre o próprio corpo e sobre aquilo que queremos construir para as próximas décadas.
Costumo dizer que a Menopausa pode ser a MELHOR fase da vida da mulher — não porque todas passarão por ela sem dificuldades, mas porque hoje temos conhecimento e recursos para cuidar dessa transição de maneira muito mais completa.
O importante é compreender que cuidar da saúde não deve começar quando alguma coisa dá errado.
Deve começar quando decidimos assumir responsabilidade sobre a maneira como queremos viver e envelhecer.
É sobre isso que quero falar neste espaço: saúde integrativa e sem tabus. Hormônios, menopausa, sexualidade, metabolismo, intestino, saúde muscular e óssea, prevenção e longevidade — traduzindo conhecimento médico para a vida real.